A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para a próxima segunda-feira (23) o depoimento da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro. A convocação, aprovada pelos parlamentares, torna obrigatória sua presença para prestar esclarecimentos.
Embora o requerimento para ouvi-la já tivesse sido aprovado anteriormente, a data da oitiva ainda não havia sido definida. A medida ocorre no âmbito das investigações que apuram possível ocultação de patrimônio relacionada ao ex-controlador do Banco Master.
Apurações da Polícia Federal indicam a suspeita de que Vorcaro possa ter transferido bens para Martha Graeff ou estruturado mecanismos com o objetivo de proteger recursos no exterior. Entre os elementos analisados estão mensagens que sugerem a criação de um trust nos Estados Unidos em nome da influenciadora — instrumento jurídico frequentemente utilizado para gestão patrimonial.
Em uma das conversas, Martha questiona o pedido de seu passaporte brasileiro feito por pessoas ligadas ao empresário.
“Amor pq a Lori e Leo estão me pedindo meu passaporte brasileiro?”, escreveu.
Em resposta, Vorcaro afirmou:
“Amorrr, pra abrir o trust”.
Outras mensagens revelam incertezas por parte da influenciadora quanto ao funcionamento desse tipo de estrutura financeira.
“Amor eu sou traumatizada. Eu nunca tive nada no meu nome”, declarou em uma das trocas.
Entre os bens citados nas investigações está uma mansão localizada em Bay Point, região valorizada de Miami, adquirida por US$ 86,5 milhões, valor superior a R$ 450 milhões. Além disso, a Polícia Federal apura a possível aquisição de outros ativos, como veículos de luxo e investimentos associados ao casal.
Outro ponto sob análise envolve a empresa Happy Aging, ligada a Martha Graeff. Conversas indicam que Vorcaro teria discutido a realização de aportes financeiros no empreendimento.
A defesa da influenciadora, representada pelo advogado Lúcio de Constantino, afirma que ela não recebeu bens do empresário. Segundo ele, Martha “não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro”.
Ainda conforme a defesa, a empresária também não teria conhecimento sobre eventual trust em seu nome. O advogado destacou que sua cliente está “à inteira disposição das autoridades brasileiras para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.
As investigações incluem ainda diálogos sobre a aquisição de imóveis de alto valor e possíveis estratégias para reduzir a exposição pública dessas transações. Em uma dessas conversas, ao questionar se a compra de uma casa em Miami poderia gerar repercussão, Martha recebeu a seguinte resposta:
“Nao vao saber não”.
Na sequência, o empresário acrescentou:
“Ja bolei um jeito”.
A CPMI pretende ouvir não apenas Martha Graeff, mas também executivos ligados ao Banco Master, com o objetivo de aprofundar o entendimento sobre os fatos investigados e esclarecer eventuais responsabilidades.