Hoje é dia de reflexão!
Em um momento que o Brasil é tomado por discursos que minimizam as ações do crime organizado que impera no país, praticamente o defendendo e sordidamente o protegendo, com decisões que passam pelos três poderes da república, e inacreditavelmente até por parte da imprensa, hoje devemos lembrar da morte do jornalista profissional TIM LOPES, há exatos 24 anos.
O debate oportunista se ampliou e tomou conta das alas jurídicas, políticas e da sociedade de forma geral, a partir da classificação das facções criminosas brasileiras PCC e CV como terroristas pelos Estados Unidos.
E um agravante chama a atenção: o comportamento de parte da imprensa brasileira. O bárbaro crime que tirou a vida do jornalista investigativo Tim Lopes, aos 51 anos, deveria servir de alerta para quem omite a criminalidade perversa do crime organizado no Brasil. A incapacidade de muitos jornalistas que não associam o assassinato de Lopes, e tantos outros, com a atuação destes grupos hediondos é alarmante.
Em 2 de junho de 2002, o repórter Tim Lopes foi sequestrado e assassinado por traficantes no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, enquanto realizava uma reportagem investigando denúncias de exploração sexual de menores em bailes funk da Vila Cruzeiro.
Desde 1996 até a sua morte, Tim Lopes trabalhou na TV Globo. Tim Lopes era conhecido por seu trabalho corajoso e pelas reportagens investigativas que denunciavam violência, tráfico de drogas e abusos sociais. Para registrar os crimes, costumava utilizar câmeras escondidas e atuar de forma discreta em áreas dominadas pelo crime organizado.
Na noite do crime, Tim Lopes foi reconhecido em algum ponto do Morro do Alemão. Acabou capturado, torturado e morto. Encontrado carbonizado, a brutalidade do crime chocou o país.
Gaúcho de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Tim construiu uma carreira marcada pela busca por denúncias de interesse público e pela tentativa de dar visibilidade a realidades frequentemente ignoradas pelas autoridades, o que contrasta cruelmente com o posicionamento, especialmente do governo brasileiro frente à decisão americana.
Tim Lopes representa a memória viva do combate ao crime, e sua morte não pode ser reduzida pelo tempo, pela banalidade e pela estupidez humana.