Os pedidos de recuperação judicial estão inundando os tribunais brasileiros. Grandes empresas, outrora sólidas, sem quaisquer problemas, presentemente estão suplicando por socorro judicial para conseguirem sobreviver.
Esta semana foi a vez do grupo Gennius, dono das redes Habib’s e Ragazzo, que entrou com pedido de rcuperação na última segunda-feira, dia 24, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho passado, a rede de fast-food já tinha conseguido na Justiça uma proteção contra a cobrança de credores. O grupo declarou dívidas de R$ 265 milhões e teve o pedido deferido pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O grupo tem ainda sob sua administração as churrascarias Tendall Grill.
No pedido, o valor total da dívida é de R$ 265.207.959,83, mas o grupo apontou que possui um endividamento bancário que supera os R$ 300 milhões. O juiz deferiu parcialmente a tutela de urgência, determinando que os credores não suspendam ou interrompam a execução dos contratos vigentes sob a única justificativa do ajuizamento da recuperação judicial.
Mas indeferiu o pedido de "quebra das travas bancárias", mantendo a retenção dos recebíveis (créditos que a empresa tem a receber) e investimentos que haviam sido dados como garantia aos bancos. O grupo argumentou à justiça que, apesar da solidez histórica de suas marcas, enfrentou nos últimos anos adversidades graves que afetaram sua estrutura de capital e liquidez.
Além disso, a mudança nos hábitos de consumo, com a popularização das plataformas de delivery (marketplaces) de restaurantes, fez com que os consumidores passassem a frequentar menos as lojas físicas, o que comprimiu as margens de lucro das unidades presenciais.
O pedido de RJ cita os impactos da pandemia de Covid-19 (2020 a 2022), quando o grupo havia investido na abertura de lojas físicas em shoppings e grandes centros urbanos, locais que ficaram vazios com as restrições de mobilidade. A adoção do trabalho remoto consolidou uma queda permanente no fluxo diário de clientes nessas regiões, diz a rede.
E o cenário macroeconômico, com alta dos juros para 14% ao ano, encareceu os custos das dívidas contraídas pelo grupo no período da pandemia, estrangulando o capital de giro e gerando problemas de caixa e inadimplência com fornecedores.
Em nota, o grupo Habib’s informou que teve seu pedido de Recuperação Judicial deferido, como parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.
"As operações seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades. A companhia segue comprometida com a força de suas marcas, a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros", diz o texto.
Com 37 anos de existência, o Habib’s tornou-se uma das maiores redes nacionais de fast food. Fundada na capital paulista, a marca tinha como lema "democratizar o acesso a refeições rápidas, aliando qualidade de cardápio a uma política de preços bastante competitivos".
Atualmente, o Habib’s está presente em 17 estados, em todas as regiões do país, com seis churrascarias Tendal, 119 lojas Habib's e 26 do Ragazzo. Segundo o grupo, mais de 200 milhões passam por suas unidades anulamente, e o produto carro-chefe continua sendo a Bib’sfiha. Já a churrascaria Tendall oferece um rodízio que ficou conhecido pela fartura e variedade de cortes de carnes. No final de 2025, a marca inaugurou o Tendall Prime, no bairro nobre de Alphaville, em Barueri (São Paulo).
Assim como outras redes de varejo, como a Casas Bahia, Marabraz, que recentemente entraram com pedido de recuperação judicial, o Habib's também teve seu caixa pressionado pelas altas taxas de juros. Mas a rede também foi afetada por mudanças de comportamento do consumidor, com o delivery oferecendo descontos agressivos, além da concorrência mais forte do setor de alimentação