Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (13) uma nova fase de sua ofensiva militar contra o narcotráfico, sob o nome de Operação Lança do Sul, após a chegada ao Caribe do maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford.
"Esta missão defende nossa pátria, elimina os narcoterroristas de nosso hemisfério e protege nossa pátria das drogas que matam nossa gente", anunciou na rede X o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.
"O Hemisfério Ocidental é a vizinhança dos Estados Unidos -- e o protegeremos", indicou.
O comunicado não da mais detalhes desta nova fase, mas os especialistas em Washington destacam que o porta-aviões, acompanhado por sua flotilha de navios-escolta, amplia consideravelmente as alternativas militares dos Estados Unidos na região.
A Venezuela é "um regime ilegítimo, basicamente uma organização do narcotráfico que tomou o poder", declarou o secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira, ao finalizar uma cúpula ministerial do G7 no Canadá.
"Mas olhem, isto é uma operação antidrogas. E se deixam de enviar barcos com drogas, não haverá nenhum problema", acrescentou.
O próprio presidente Donald Trump foi ambivalente em uma entrevista televisiva recente, ao assegurar que não tinha a intenção de entrar em guerra com Caracas.
Mas depois, ao ser perguntado sobre se lhe parecia que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados, respondeu: "Eu diria que sim."
O porta-aviões Gerald Ford, com sua flotilha adjacente de barcos, se une aos seis navios que já estavam presentes no Caribe e a outro no Pacífico.
O lema de Trump tem sido e continua sendo "America First" (os Estados Unidos em primeiro lugar, em tradução livre do inglês), lembra Alexander B. Gray, diretor-executivo da American Global Strategies.
E no caso do narcotráfico, o objetivo é sobretudo impedir a chegada de drogas vindas do Sul.
"Devido aos seus laços com a China e a Rússia, a Venezuela faz parte da grande competição entre as potências mundiais", explicou ele em um painel de especialistas organizado nesta quinta-feira pelo Conselho Atlântico em Washington.
"E o que [Trump] diz é que, antes de ter sucesso a nível mundial, temos que ser bem-sucedidos em nossa região, em nosso hemisfério", acrescentou.
"Do ponto de vista da liderança nacional, eles vão manter essa [mobilização] pelo maior tempo possível, até atingirem seu objetivo, que é interromper o tráfico de drogas para os Estados Unidos", opinou.
Transição pacífica
Um ataque em solo venezuelano deve levar em conta a possibilidade de danos colaterais, explica à AFP Douglas Farah, presidente da consultoria IBI, especialista em narcotráfico e segurança.
Na hora de escolher alvos, "Puerto Cabello poderia ser uma possibilidade", na opinião deste especialista. Este porto marítimo é o de maior importância na Venezuela, e ponto de trânsito de drogas, segundo os especialistas.
Mas "acho que é muito difícil encontrar objetivos importantes que possam alterar significativamente a correlação de poder na Venezuela se decidimos bombardeá-los", advertiu.
Se o a intenção dessa estratégia desestabilizadora é derrubar o governo Maduro, "o objetivo deveria ser uma transição pacífica", explicou no Conselho Atlântico a general reformada Laura J. Richardson, que atuou como chefe do Comando Sul (SOUTHCOM) entre 2021 e 2024.
Para isso é essencial manter um diálogo com as forças armadas venezuelanas, ressalta o ex-enviado especial para a Venezuela (2019-2021) Elliott Abrams.
"Uma das coisas que a oposição deveria estar dizendo, e que deveríamos estar dizendo, é que a Venezuela tem uma fronteira extensa e muita violência, e que precisa de um exército. E espero que nossa operação encoberta da CIA esteja fazendo isso", explicou Abrams no debate.
"Ele não vão ficar em desvantagem por causa de uma transição. Serão mais felizes", concluiu.
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