09/04/2025 às 07:18
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que Jair Bolsonaro (PL) pode ser inocentado nos processos criminais que correm no STF.
Porém, para o ministro, o ex-presidente continuará inelegível devido a decisões já consolidadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A declaração foi dada durante entrevista ao jornalista Jon Lee Anderson, publicada na edição mais recente da revista americana The New Yorker, na última segunda-feira (7/4).
Ao ser questionado sobre uma eventual possibilidade de retorno político do ex-mandatário, Moraes avaliou:
“É possível que Bolsonaro seja absolvido no processo criminal, porque o julgamento está apenas começando. Mas ele tem duas condenações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) [que resultaram em] inelegibilidade. Então, não há possibilidade de seu retorno — porque ambos os casos já foram apelados e agora estão no Supremo Tribunal Federal. Somente o Supremo Tribunal Federal poderia revertê-los, e não vejo a menor possibilidade de isso acontecer”.
Na entrevista, Moraes também considerou que outras figuras da família Bolsonaro poderiam tentar disputar a Presidência da República, com o aval do ex-presidente. Entretanto, ponderou que nenhum deles — nem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nem os filhos — possui o mesmo tipo de ligação com as Forças Armadas que caracterizava a liderança de Jair Bolsonaro.
A entrevista ocorreu em meio ao processo criminal que envolve o ex-presidente, que se tornou mais grave no dia 26 de março, quando a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bolsonaro e outras sete pessoas réus por suposta conspiração golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moraes também rejeitou a ideia de que Bolsonaro esteja sendo alvo de uma justiça parcial.
“A responsabilidade de cada pessoa agora tem que ser determinada no tribunal, porque é quando eles apresentarão sua defesa”, afirmou o ministro. “Mas toda a narrativa de perseguição política, a alegação de inimizade pessoal, tudo isso entrou em colapso, porque não foi apenas a polícia federal que os acusou — o próprio procurador-geral decidiu prestar queixa.”

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