Em mais um movimento estratégico para reduzir sua elevada alavancagem financeira, a Raízen anunciou nesta segunda-feira (12) a venda da Usina de Leme, localizada no interior de São Paulo. O ativo foi negociado por aproximadamente R$ 425 milhões com a Ferrari Agroindústria e a Agromen Sementes Agrícolas. Segundo a companhia, o valor será pago à vista no fechamento da operação, que ainda precisa passar por aprovação regulatória e atender condições precedentes não divulgadas.
A unidade, situada em Leme, no polo canavieiro de Piracicaba, tem capacidade de moagem de 1,8 milhão de toneladas de cana por safra. A transação inclui também a cessão de cerca de 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. A operação ocorre num momento crítico para a Raízen, que vem enfrentando forte pressão financeira: sua alavancagem atingiu 3 vezes o EBITDA no terceiro trimestre do ano safra 2024/2025, encerrado em dezembro, enquanto a dívida líquida subiu 22,5% em um ano, alcançando R$ 38,6 bilhões.
A venda da Usina de Leme se soma a outras medidas recentes de enxugamento da estrutura da empresa. Entre elas, estão a negociação de direitos de exploração de 900 mil toneladas de cana por R$ 384 milhões, a alienação de projetos de geração distribuída de energia com retorno bruto estimado em R$ 475 milhões e a redução da participação na Raízen Paraguay de 50% para até 27,4%. Essa última ação evitará um desembolso de até US$ 54 milhões até 2026.
Além disso, segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg em novembro, a companhia estaria avaliando se desfazer de uma fatia de suas usinas de etanol de segunda geração (E2G), que utilizam resíduos do processamento de etanol tradicional e açúcar. Também estaria sob análise a possível venda da sua participação na operação brasileira das lojas de conveniência Oxxo, parceria com a mexicana FEMSA.

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