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Em uma operação sem precedentes, Israel matou três dos principais militares das Forças Armadas do Irã em meio a ataques contra as instalações militares e nucleares do país persa que começaram na madrugada desta sexta-feira, 13.

Os militares mortos faziam parte da alta cúpula do Irã e estavam apenas abaixo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

Israel também diz ter atacado a principal instalação de enriquecimento nuclear do Irã em Natanz, atingindo um complexo subterrâneo que abrigava centrífugas, e pelo menos seis bases militares ao redor da capital, Teerã. Residências em dois complexos de alta segurança para comandantes militares também foram atingidas, assim como vários prédios residenciais ao redor de Teerã.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o comandante da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Amir Ali Hajizadeh, comparecem ao desfile militar anual que marca o aniversário do início da guerra Irã-Iraque de 1980-1988 em Teerã Foto: Atta Kenare/AFP



Militares mortos

O major general Mohammad Bagheri, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e o segundo comandante mais alto do Irã depois do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um bombardeio durante a madrugada. Ele foi substituído pelo major-general Abdolrahim Mousavi, de acordo com a agência de notícias estatal iraniana IRNA.

Vídeo relacionado: Israel ataca instalações nucleares e fábricas de mísseis do Irã (Reuters)

Já o general Hossein Salami, comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, a principal força militar do Irã, também foi morto. Ele era o segundo na cadeia de comando militar e tinha o terceiro cargo mais importante do Irã. Ele foi substituído pelo General Mohammad Pakpour, segundo a IRNA.

O general Gholamali Rashid, comandante-chefe adjunto das Forças Armadas, e o general Amir Ali Hajizadeh, chefe do programa de mísseis da Guarda Revolucionária do Irã, também foram mortos. Segundo a cadeira de comando, eles seriam as autoridades militares mais importantes depois de Bagheri e Salami.

Bombardeio israelense danifica prédio em Teerã, Irã Foto: Meghdad Madadi/AFP


Cientistas assassinados

Segundo a agência iraniana Tasnim, Israel matou seis cientistas iranianos nesta sexta-feira. Entre eles estão Fereydoun Abbasi, ex-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, e Mohammad Mehdi Tehranchi, físico teórico e presidente da Universidade Islâmica Azad em Teerã.

Israel também assassinou Ali Shamkhani, um dos políticos mais influentes do Irã e amigo próximo do aiatolá Khamenei. Ele supervisionava as negociações nucleares com os Estados Unidos como parte de um comitê nomeado pelo líder supremo para dirigir as negociações.

O recém-nomeado comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Mohammad Pakpour, disse que Teerã irá abrir “as portas do inferno” em retaliação aos ataques israelenses que mataram seu antecessor.

“Em retribuição ao sangue de nossos comandantes, cientistas e cidadãos mortos, as portas do inferno se abrirão em breve para este regime que mata crianças”, disse Pakpour sobre Israel em uma mensagem divulgada pela agência de notícias estatal IRNA.

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Israel mirou alvos nucleares

Israel bombardeou diversos alvos no Irã, no que chamou de “ataques preventivos” em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio.

Os ataques começaram na noite de quinta-feira, 12 (horário do Brasil), e continuaram nesta sexta-feira, 13. Foi uma grande operação contra a alta cúpula do país persa e o programa nuclear do Irã.

Israel atacou a principal instalação de enriquecimento nuclear do Irã em Natanz, atingindo um complexo subterrâneo que abrigava centrífugas.

Tel-Aviv também atacou pelo menos seis bases militares ao redor da capital, Teerã, residências em dois complexos de alta segurança para comandantes militares e vários prédios residenciais ao redor de Teerã, de acordo com informações do The New York Times.

Retaliação do Irã

Nesta sexta, o Irã iniciou sua primeira onda de retaliação, lançando mais de 100 drones em direção a Israel, de acordo com o Brigadeiro-General Effie Defrin, principal porta-voz do exército israelense.

Mais tarde, o Irã passou a lançar mísseis. Alguns desses mísseis foram interceptados pelo sistema de defesa aérea israelense. Ao menos um deles foi destruído enquanto sobrevoava a cidade sagrada de Jerusalém.

Segundo o Exército de Israel, os sistemas de defesa estavam trabalhando para interceptar a ameaça. O Exército também orientou a população a entrar nas áreas protegidas e permanecer lá até novo aviso.

Fumaça em Tel-Aviv, Israel, após retaliação do Irã Foto: Leo Correa/AP


EUA mandam navios de guerra para a região

Os Estados Unidos anunciaram o envio de navios de guerra e outros recursos militares americanos no Oriente Médio para ajudar a proteger Israel da retaliação iraniana.

O contratorpedeiro USS Thomas Hudner recebeu ordens para se deslocar para a costa oriental do Mediterrâneo, e um segundo contratorpedeiro deverá segui-lo. A Força Aérea também enviará mais caças para a região. /com NYT