O atropelamento de uma ciclista pelo juiz embriagado é a metáfora perfeita para o atropelamento que essa casta embriagada de poder impõe aos brasileiros todos os dias.
O juiz em questão tem 61 anos de idade e se aposentou em 2019. Portanto, com 55 anos. Desde então, continua recebendo cifras milionárias anualmente. Nos primeiros 6 meses desse ano, recebeu quase R$ 800 mil líquidos, uma média de R$ 130 mil/mês. Quer dizer, não só os salários estão bem acima do teto de remuneração do funcionalismo público, como também as aposentadorias. Um escárnio.
Tanto a fiança de R$ 40 mil para responder ao processo referente ao atropelamento em liberdade quanto os penduricalhos estão de acordo com a mais perfeita lei. Uma lei que, vejam só, no Brasil sempre está do lado dos juízes e dos infratores.
A mulher nua no colo do juiz é a cereja no bolo da metáfora. Representa o sistema político brasileiro, prostituído em troca de um bom pagamento. Quando os “acidentes” acontecem, coloca a sua roupa de vestal e foge da cena do crime. Como se não tivesse nada a ver com isso.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
*A ciclista Thais Bonatti, 30 anos, morreu na madrugada deste sábado (26), na Santa Casa de Araçatuba (SP), onde estava internada em estado grave desde quinta-feira (24). Na sexta-feira (25), o juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues pagou uma fiança de R$ 40 mil e foi solto.

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