“Ele mentiu deliberadamente à CPMI”, afirmou Viana, ao justificar a decisão. Em tom enfático, declarou ainda: “O senhor está preso em nome dos aposentados, viúvas e órfãos do Brasil e aqui quem mente paga o preço”.
Veja vídeo do momento em que o presidente da Conafer recebe voz de prisão:
Esta é a segunda prisão decretada pela comissão desde o início dos trabalhos. Na semana passada, Rubens Oliveira, ex-diretor financeiro de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS”, também foi detido após prestar esclarecimentos.
Durante a oitiva, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusou Lopes de ser um dos articuladores de fraudes que desviaram recursos de aposentados e pensionistas. Gaspar comparou sua atuação à de Maurício Camisotti, apontado como um dos principais nomes do esquema. “Hoje, a gente descobriu outro Maurício Camisotti, se chama Carlos Roberto Ferreira Lopes. Pelas mãos da Conafer passaram mais de R$ 800 milhões, aqui nós descobrimos que R$ 140 milhões foram direcionados diretamente para o assessor dele, Cícero Marcelino”, disse.
Lopes tentou se defender alegando desconhecimento sobre a estrutura de empresas associadas à Conafer e minimizou a relação com Marcelino. “O Cícero nunca foi funcionário da Conafer. O Cícero sempre foi um fornecedor de bens e serviços da Conafer por mais de 15 anos. E pegou essa pecha aí de falar que era assessor – assessor são os egos da amizade, né? Como nós todos vimos aqui. É o querido, é o amigo”, afirmou.
Fraude durante a pandemia e "ressurreição de mortos"
O depoente também foi pressionado ao ser questionado sobre a inclusão de milhares de novos associados em plena pandemia de Covid-19, quando medidas sanitárias impediam o funcionamento normal das entidades. Documentos do INSS apontam que, entre abril e agosto de 2020, foram registrados 95.818 novos descontos em benefícios previdenciários, número considerado “anormal” pelo órgão.
Outro momento de tensão ocorreu quando o relator confrontou Lopes sobre descontos feitos em benefícios de pessoas já falecidas. Diante da acusação de que a Conafer teria “ressuscitado mortos” para justificar cobranças, o dirigente respondeu: “Se o morto estiver recebendo benefício, pelo jeito, sim, né?”. A fala gerou reação imediata de parlamentares, que classificaram a postura como desrespeitosa.
Liberação e risco de prisão preventiva
Apesar da prisão em flagrante, Carlos Roberto Ferreira Lopes foi liberado ainda na madrugada após pagar fiança, cujo valor não foi divulgado. O relator da CPMI já anunciou que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a decretação de prisão preventiva, alegando risco de fuga, ameaça a testemunhas e ocultação de patrimônio.
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