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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Ex-ministro do Supremo é preso

JCO

Não... Ainda não aconteceu no Brasil, mas o Chile já começa a dar exemplos de que a Justiça do país ainda segue firme.

Na noite de domingo, 25, a ex-ministra da Suprema Corte Ángela Vivanco, foi presa em sua residência no bairro de Las Condes, em Santiago. A ex-magistrada é acusada de suborno, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, em um caso considerado histórico no país.

Após a detenção, Ángela Vivanco foi encaminhada ao Centro de Justiça de Santiago, onde deverá ser formalmente denunciada pelas autoridades. A prisão de uma ex-integrante da Suprema Corte é apontada como um episódio sem precedentes na história institucional do Chile.

A investigação apura a suposta ligação da ex-ministra com o advogado Luis Hermosilla, aliado do ex-presidente Sebastián Piñera, no contexto do caso conhecido como “Boneca Bielorrussa”. O esquema envolveria decisões judiciais favoráveis mediante pagamentos ilícitos.

Afastamento e outras prisões

Vivanco já havia sido destituída do cargo em outubro do ano passado, quando surgiram os primeiros indícios de irregularidades. Em 7 de novembro, o marido da ex-ministra, Gonzalo Migueles, e os advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos também foram formalmente acusados. Ambos permanecem presos preventivamente em uma unidade destinada a crimes de “colarinho branco”.

Durante as operações policiais, foram apreendidos quase US$ 14 milhões em dinheiro vivo, além de outros US$ 7 mil guardados em cofres e caixas de papelão. A maior parte do montante foi localizada nos escritórios dos advogados Vargas e Lagos.

Detalhes do caso “Boneca Bielorrussa”

No centro do escândalo, Ángela Vivanco é acusada de ter recebido subornos da empresa Belaz Movitec SpA, formada pela chilena Movitec e pela companhia bielorrussa Belaz. O grupo empresarial era representado judicialmente pelos advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos.

Segundo a investigação, cerca de US$ 57 milhões teriam sido pagos à então magistrada por intermédio de seu marido, Gonzalo Migueles, para que ela atuasse de forma favorável à empresa em um litígio contra a estatal chilena Codelco.

O processo teve início no Tribunal de Apelações de Copiapó, que decidiu contra a Belaz Movitec SpA, condenando a companhia ao pagamento de US$ 20 milhões à Codelco por quebra de contrato. Posteriormente, contudo, a Suprema Corte — presidida de maneira extraordinária por Ángela Vivanco — reverteu a decisão, fato que passou a ser um dos principais focos da apuração.

O caso segue sob investigação e é tratado pelas autoridades chilenas como um dos maiores escândalos judiciais do país, tanto pelo volume financeiro envolvido quanto pelo impacto institucional.

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