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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Guerra Toffoli x PF: O que há de podre e, principalmente, quem estaria podre?

Revista Forum
Guerra Toffoli x PF: O que há de podre e, principalmente, quem estaria podre?

As decisões do ministro Dias Toffoli na Operação Compliance Zero II, a segunda fase da investigação sobre fraudes bilionárias no Banco Master, têm sido interpretadas como uma escalada de tensão com a Polícia Federal, quase uma declaração de guerra aberta contra a instituição. Tudo começou quando ele determinou que os materiais apreendidos, como dezenas de celulares, computadores e documentos, fossem lacrados e enviados diretamente ao Supremo Tribunal Federal, impedindo que a PF realizasse a perícia imediata, algo essencial para preservar dados digitais voláteis. Essa medida gerou preocupações sobre a integridade das provas, já que o armazenamento no STF poderia atrasar ou comprometer a extração de informações cruciais.

Diante da repercussão negativa, Toffoli ajustou sua decisão no mesmo dia, transferindo a custódia para a Procuradoria-Geral da República, mesmo sem um pedido formal de Paulo Gonet. Mais tarde, ele contrariou tanto a PGR quanto a PF ao nomear pessoalmente quatro peritos federais para supervisionar a análise, sob controle exclusivo da PGR, sem seguir os protocolos habituais de designação via Instituto Nacional de Criminalística. Essa escolha seletiva foi interpretada como um desrespeito à autonomia da PF, criando um mal-estar interno e reforçando uma narrativa de desconfiança pública, que se espalhou rapidamente. Recentemente, ele ainda reduziu de forma drástica o prazo para colher depoimentos de investigados, de cinco para apenas dois dias, o que intensifica a pressão sobre a investigação e levanta dúvidas sobre uma possível pressa em encerrar etapas sensíveis.

No fundo, essas ações parecem ter um objetivo claro: semear dúvida sobre a credibilidade da PF, insinuando falhas como vazamentos, atrasos ou vulnerabilidades em suas operações. Toffoli criticou abertamente supostos atrasos na deflagração da operação, apesar das justificativas da PF sobre a complexidade logística envolvendo mandados em múltiplos estados. Isso pode ser uma estratégia para inverter a percepção de que o ministro atua em favor da defesa do banco, especialmente após imposições como sigilo absoluto no caso e acareações não solicitadas pela polícia. Ao expor essa desconfiança de forma tão evidente, ele acaba por deixar a PF mal vista pela sociedade, sugerindo que a instituição é propensa a abusos ou ineficiências, o que justificaria um maior controle judicial sobre investigações sensíveis. No entanto, o real intuito do ministro não está claro.

Mas há um elemento que apimenta ainda mais essa trama: o quanto Toffoli estaria usando essas medidas para desviar os holofotes negativos de si próprio. Sem razões concretas aparentes, ele exigiu a transferência do processo da Justiça Federal para o STF em dezembro de 2025, assumindo a relatoria com base em uma citação periférica a um deputado com foro privilegiado, uma manobra vista como questionável e que centralizou o caso em suas mãos. Logo depois, impôs sigilos estranhos e desnecessários, restringindo o acesso aos autos de forma incomum, e marcou acareações entre investigados que ninguém havia pedido, como entre o banqueiro Daniel Vorcaro e ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, o que soa como interferência direta no rumo e nos ritos da apuração.

Para piorar, veio à tona que, dias antes de decretar o sigilo máximo, Toffoli viajou em um jato privado para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru, ao lado de um advogado ligado ao Banco Master, Augusto Arruda Botelho, que defende um diretor da instituição que foi preso na primeira fase da Compliance Zero.

O voo, fretado por um empresário amigo, ocorreu em novembro de 2025 e alimentou suspeitas de proximidade indevida com partes interessadas no caso, ainda que nada tenha ficado comprovado até aqui. Além disso, revelações recentes apontam conexões financeiras: o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, preso e solto na operação, injetou milhões via fundos de investimentos em um resort da família de Toffoli, tornando irmãos do ministro sócios indiretos de figuras investigadas. Com um histórico assim, carregado de acusações de parcialidade e vínculos indiretos, surge a pergunta incômoda: Toffoli age por uma desconfiança genuína na PF, indignado com vazamentos e determinado a garantir lisura, ou carrega um mundo de suspeitas nas costas e vê na ideia de jogar a culpa no colo da polícia uma forma atraente de se blindar? Essa dualidade transforma o episódio em algo além de uma mera briga institucional, sugerindo uma tentativa de autoproteção que só aumenta o escrutínio sobre sua conduta.

A repercussão na imprensa tem sido intensa e majoritariamente crítica, destacando o ineditismo das medidas e seus riscos para o devido processo legal. Os recuos sucessivos de Toffoli foram retratados como respostas a uma reação inicial negativa, apontando para uma crise institucional que testa os limites entre o STF e a PF. Analistas veem nisso um potencial para anulações futuras de provas, além de suspeitas de parcialidade, dado o histórico de proximidades do ministro com envolvidos no caso.

O episódio azedou relações internas na PF, com peritos frustrados pelo questionamento à sua expertise, e polarizou opiniões. De um lado, defensores veem Toffoli como protetor do devido processo legal e justo; do outro, críticos o acusam de obstrução e até clamam por impeachment. Nas redes sociais, termos como “blindagem”, “desconfiança” e “conflito de interesses” dominam o debate, erodindo a confiança nas instituições e destacando como essas ações, intencionais ou não, alimentam uma narrativa de instabilidade no equilíbrio entre poderes, com Toffoli no epicentro de um furacão que ele mesmo parece ter ajudado a criar.

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