É bonito de se ver. Como diria o Faustão, é uma lição de vida.
Alguém gravou clandestinamente uma reunião dos supremos e vazou para a imprensa. O STF (assim, institucionalmente, sem um autor da decisão concreto) resolveu deixar prá lá, em nome da “paz institucional”.
É muita institucionalidade. É instituição que não acaba mais. Por isso que as instituições no Brasil são fortes. Preferem a paz à elucidação de um crime. A emoção institucional toma conta de mim.
Deveríamos todos seguir o exemplo. A paz institucional deveria ser o zênite da democracia brasileira. Todos como um único time, a exemplo do STF Futebol Clube. Nada de brigas intestinas que só acabam com a paz institucional. Todos irmanados na defesa dos seus. Assim sim, caminharemos a passos largos para sermos uma democracia de paz e harmonia.
Os Três Poderes podem brigar entre si à vontade. Autoridades podem se locupletar. Usar da autoridade para intimidar cidadãos, sem problemas. Isso tudo cabe na democracia. O que não cabe é o fim da paz institucional. Por isso, os supremos decidiram pelo melhor, não expor um dos seus. E a paz institucional cada vez mais se parece com a paz dos cemitérios, onde jaz a democracia brasileira.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.


Nenhum comentário:
Postar um comentário