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Em meio a denúncias de importunação sexual que vieram a público, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi protocolou, nesta terça-feira (9), um pedido oficial de licença pelo período de 90 dias. A solicitação foi acompanhada de um atestado assinado por uma médica psiquiatra. O magistrado afirma não reconhecer a veracidade das acusações que pesam contra ele.
De acordo com informações repassadas pela assessoria do STJ, qualquer posicionamento institucional só deverá ocorrer após a realização de uma sessão extraordinária, convocada para a manhã desta terça-feira. O encontro foi agendado com o objetivo de discutir os próximos passos do processo administrativo aberto para apurar os fatos, procedimento que, ao final, pode resultar no afastamento formal do ministro de suas atribuições.
Na segunda-feira, Marco Buzzi encaminhou uma carta aos demais integrantes da Corte na qual reiterou a negativa das denúncias e relatou os efeitos pessoais da situação. Segundo o magistrado, o episódio tem provocado desgaste emocional significativo.
“Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instaurados demonstrarei minha inocência”, escreveu.
As investigações tiveram início após o relato de uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido vítima de assédio no dia 9 de janeiro, durante uma estadia na residência de praia do ministro, localizada em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Conforme o depoimento, ela estava no mar quando Buzzi teria se aproximado, puxado seu corpo para perto e segurado sua lombar. A jovem sustenta que tentou se afastar repetidas vezes, mas que o contato só cessou quando conseguiu sair da água e buscar auxílio junto aos pais.
Após o episódio, a família da jovem deixou o local no mesmo dia, depois de confrontar parentes do ministro. Já em 14 de janeiro, os pais, acompanhados de advogados, registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. Além disso, uma nova denúncia foi protocolada nesta segunda-feira no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instância na qual a jovem já prestou depoimento à Corregedoria.
Cabe destacar que, no último dia 5, Marco Buzzi já havia apresentado um atestado médico e encontrava-se internado, sem previsão de alta hospitalar. Pessoas próximas relataram ainda que o ministro passou recentemente por um procedimento cirúrgico para implantação de um marcapasso, fato que também teria contribuído para a decisão de solicitar o afastamento temporário.

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