Acordos em andamento apontam para esquemas bilionários, conexões políticas e possível efeito direto no cenário eleitoral

Duas delações em curso têm potencial para provocar um verdadeiro terremoto político em Brasília.

De um lado, o empresário Roberto Leme, conhecido como Beto Louco. De outro, Maurício Camisotti, apontado como peça-chave em um esquema bilionário envolvendo o INSS.

Ambas podem atingir o coração do Centrão.

A delação de Beto Louco foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo após ter sido rejeitada pela Procuradoria-Geral da República. O motivo, segundo relatos, seria a presença de nomes com foro privilegiado entre os citados.

Agora, sem esse alcance direto, a estratégia mudou.

Mesmo assim, o conteúdo segue explosivo. Beto Louco afirma ter informações sobre um esquema de fraudes fiscais que envolveria servidores públicos e até magistrados, com ramificações que alcançariam estruturas ligadas ao crime organizado.

A operação Carbono Oculto, à qual sua delação está vinculada, já investiga crimes como sonegação e lavagem de dinheiro em larga escala.

Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, da TV Fórum, o advogado Roberto Bertholdo disse que o material pode “abalar a República”.

Mas não é só isso.

Em Brasília, a delação de Maurício Camisotti segue outro caminho — e talvez com ainda mais impacto político direto.

Preso em 2025, ele é apontado como integrante central do núcleo financeiro de um esquema de fraudes no INSS. Em negociação com a Polícia Federal, teria se comprometido a entregar provas, nomes e o funcionamento da engrenagem.

Camisotti não é um personagem novo.

Seu nome já havia surgido na CPI da Covid, durante o governo Bolsonaro, no contexto das suspeitas envolvendo a vacina Covaxin e possíveis articulações políticas.

Agora, retorna ao centro do noticiário com potencial ampliado.

As duas delações, embora distintas, convergem em um ponto: a possibilidade de expor relações profundas entre política, negócios e estruturas ilícitas.

E isso, em ano eleitoral, não é apenas um detalhe.

Dependendo do que vier à tona, o impacto pode ser direto nas campanhas, nas alianças e na própria correlação de forças no Congresso.

E o Centrão, mais uma vez, pode estar no olho do furacão.