O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) esteve em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, entre os dias 10 e 11 de abril. Desde então, circula nas redes sociais um conteúdo com mais de 15 mil interações com a alegação de que o senador disse, no estado, que aumentará a idade para a aposentadoria e cortará direitos trabalhistas. Mas isso é falso: as gravações dos discursos públicos do pré-candidato não exibem declarações do tipo e, até o momento, não foi divulgado seu plano de governo. Em março, a imprensa noticiou que o senador deve propor medidas nessas áreas, mas não deu detalhes.
“Em campanha no RS, Flávio Bolsonaro diz que fará uma reforma da Previdência, na qual homens se aposentaram aos 75 anos e mulheres aos 72, além do fim dos direitos trabalhistas”, dizem os conteúdos que circulam no Instagram, no Facebook, no X, no YouTube, no TikTok e no Kwai.
Entre os dias 10 e 11 de abril, o senador esteve em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, pela primeira vez desde que o seu pai e ex-presidente, Jair Bolsonaro, o escolheu como sucessor para disputar a eleição presidencial de 2026.
Na cidade, o pré-candidato participou de um encontro com mulheres, do lançamento de candidaturas do Partido Liberal e falou em uma mesa no Fórum da Liberdade.
Mas ele não apresentou propostas para aumentar o tempo da aposentadoria e cortar direitos trabalhistas nessas ocasiões.
Senador não apresentou propostas concretas
No canal no YouTube do senador é possível consultar seus discursos feitos nos três eventos públicos do qual participou na cidade, como mostrou a pesquisa pelos termos “Flávio Bolsonaro” e “Porto Alegre” na plataforma (1, 2, 3).
Em 10 de abril, o pré-candidato participou de uma mesa no Fórum da Liberdade, ocasião na qual defendeu uma atualização da reforma tributária e uma reforma do Judiciário. Ele também criticou o governo atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao ser questionado sobre seu plano de governo, o senador não citou nenhuma proposta e ressaltou que as pessoas ouvirão “propostas genéricas da minha parte por enquanto”, já que possíveis detalhes poderiam ser prejudiciais para a campanha.
A mesa também foi transmitida por uma emissora local, que publicou uma entrevista concedida pelo pré-candidato após o evento.
Não há nenhuma menção à propostas para a Previdência ou para os trabalhadores nessas gravações.
O pré-candidato tampouco citou propostas para essas áreas em eventos do PL, realizados no dia 11 de abril (1, 2).
Nessas gravações, o senador volta a proferir críticas ao governo atual e afirma que irá cortar impostos se eleito. Ele também defendeu a anistia para Jair Bolsonaro, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A passagem do pré-candidato pelo Rio Grande do Sul foi repercutida pela imprensa nacional, que tampouco mencionou propostas para a Previdência e para os trabalhadores (1, 2, 3).
Estudos para propostas na área
Em março de 2026, a Folha de S.Paulo entrevistou o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Roberto Marinho, que revelou que o plano de governo do pré-candidato abordará “a necessidade de se fazer uma nova reforma da Previdência e revisitar a reforma trabalhista (de 2017)”.
Marinho não forneceu detalhes sobre o que seria proposto, mas afirmou que o modelo atual da Previdência está “estourado” e que as propostas podem envolver parâmetros ou mudanças no modelo.
A última reforma da Previdência foi apresentada e aprovada em 2019 pelo governo de Jair Bolsonaro.
Sobre a área trabalhista, o coordenador disse apenas que o plano de governo de Flávio Bolsonaro deve ter propostas para “modernizar a legislação”.
A previsão para a divulgação do plano de governo do pré-candidato era 30 de março, segundo Marinho. Mas, até a publicação desta checagem, não houve nenhuma divulgação nesse sentido.
Ao Checamos, em 15 de abril de 2026, a assessoria do pré-candidato negou que ele tenha apresentado tais propostas no Rio Grande do Sul e repudiou a circulação de postagens com o que classificou como “propostas absurdas”.
“Essa postagem é uma fabricação total e não guarda qualquer compromisso com a verdade. O Senador reafirma que seu compromisso é com a liberdade econômica e com o combate à irresponsabilidade fiscal do atual governo, que é o que realmente destrói o poder de compra dos brasileiros”, diz o comunicado.
Conteúdo semelhante foi checado pelo Estadão Verifica.
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