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Malu Gaspar, em O Globo publicou análise que merece ser lida com atenção por qualquer pessoa que acompanha a dinâmica eleitoral brasileira: a decisão de Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode ser a armadilha eleitoral mais eficaz construída pela oposição desde a Lava Jato.
A geometria política é de uma precisão quase cruel. Lula foi ao Salão Oval em 7 de maio — como chefe de Estado, com toda a pompa protocolar — e entregou pessoalmente a Trump um documento com argumentos contra a designação. Trump recebeu, agradeceu e ignorou.
Vinte dias depois, Flávio Bolsonaro aparece no mesmo Salão Oval — como senador, sem condição de chefe de Estado — e em 72 horas obtém o que o presidente da República não conseguiu impedir.
A imagem política resultante é devastadora e irrespondível: Lula foi a Washington pedir que Trump não agisse. Flávio foi pedir que Trump agisse. Trump ouviu Flávio.
O dado eleitoral que transforma esse episódio em armadilha estrutural está na última pesquisa Genial/Quaest: violência é o tema que mais preocupa os eleitores brasileiros — citada por 31% dos entrevistados, bem à frente de corrupção (18%) e economia (12%). Num cenário em que segurança pública é a principal angústia do eleitorado, Flávio entrou na campanha com um argumento concreto, verificável e irrebatível: foi a Washington e trouxe a designação terrorista do PCC e do CV. Lula foi a Washington e voltou com uma recusa. Essa narrativa, repetida em comícios, redes sociais e debates ao longo dos próximos cinco meses, tem potencial de definir o enquadramento central da disputa eleitoral.

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