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domingo, 3 de maio de 2026

Litoral do PI virou rota do tráfico e desafia forças de segurança,diz promotor

Cidade Verde

Por Jade Araujo, Tarcio Cruz e Bartolomeu Almeida

Foto: Divulgação

Operação do Gaeco em Luís Correia

Com 66 km de extensão, o litoral do Piauí é mundialmente conhecido como o menor litoral estadual do Brasil. Mas sua extensão curta não deixa de ser um atrativo para facções criminosas. Em entrevista ao Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde, o promotor de Justiça do Piauí, Yan Cavalcante, destacou as dificuldades de combate às organizações criminosas, especificamente nas cidades de Luís Correia e Cajueiro da Praia, onde atua pelo MP-PI.

Segundo o promotor, a cidade de Luís Correia enfrenta, hoje, a falta de estrutura adequada para o combate ao crime organizado na região. Isso porque, segundo ele, o município ainda necessita de uma estrutura especializada para as características locais, como o uso de veículos que trafeguem em dunas e embarcações.

Cidadeverde.com entrou em contato com Secretaria de Segurança e aguarda resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

“Estamos em um litoral pequeno, mas um litoral importante que é uma porta de entrada para as drogas para o contrabando. E a matéria prima que as facções utilizam no seu comércio é a droga. Como é a porta de entrada, Luís Correia e Cajueiro da Praia, estão desprotegidas. A Polícia Militar de Luís Correia e Cajueiro da Praia não tem nenhum veículo que consiga andar em duna. Quantas embarcações nós temos para fazer uma operação? Porque eles também cometem crimes. Ano passado a gente teve uma morte violenta onde eles chegaram pela praia, cometem o que precisam e fogem pela praia. Quantas embarcações nós temos na Polícia Militar para fazer uma perseguição? Nenhuma. Então a nossa questão é principalmente estrutural. Falta a segurança pública esse aparato para conseguir desenvolver bem o seu papel. No entanto estamos em queda”, explica.

Foto: Reprodução / Google Maps

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Atuando como promotor no município desde 2023, Yan Cavalcante analisa que cidades próximas, como Parnaíba, possuem maior aporte estrutural, mas, por conta da demanda, não conseguem oferecer suporte mais especializado a outros municípios, como Luís Correia e Cajueiro da Praia. Essa ausência prejudica a condução de investigações mais robustas, que contribuam para a aplicação de penas mais firmes a indivíduos integrantes de facções criminosas.

“Indícios existem. O que não estamos conseguindo hoje é avançar nas investigações. A Polícia Civil do Piauí tem um núcleo competentíssimo, muito forte, o núcleo de inteligência de Parnaíba é muito bem equipado, com bons agentes, mas o nosso grande ponto é que Luís Correia não é Parnaíba. Se estrutura a polícia de Parnaíba, mas a polícia de lá vai dar prioridade a sua própria base que é Parnaíba. Temos muitos telefones que são apreendidos nessas operações e não são conseguidos quebrar e ler o que tem dentro. Falta o aparato da inteligência em Luís Correia. Temos pedido para avançar. O crime organizado é extremamente organizado e é exigido apenas um aparelhamento para que a gente tenha uma polícia, junto com um sistema de justiça coordenados para conseguir esses avanços efetivos”, explica.

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Um dos pontos positivos citados pelo promotor é que, no litoral do Piauí, não há registro de mortes por facções criminosas envolvendo turistas. Porém, há relatos de atuação internacional do tráfico na região, o que, muitas vezes, acaba envolvendo moradores locais.

“Existe de fato a atuação internacional. As embarcações chegam, ficam ancoradas um pouco mais distante da beira do mar. Eles chegam a pagar diárias de até R$ 400 para ajudar os populares a descarregarem essas embarcações. A população vulnerável acaba se vendendo e ficam caladas depois. O Porto em si, por ser na região mais central da cidade, ele pode até nos ajudar, porque vai ter uma fiscalização. Na região de Cajueiro, fica mais distante de Luís Correia, ela fica bem mais limítrofe com o Ceará e é uma região bem mais desprotegida”, finaliza.

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