ARMAZÉM PARAÍBA, SUCESSO EM QUALQUER LUGAR.

ARMAZÉM PARAÍBA, SUCESSO EM QUALQUER LUGAR.

sábado, 9 de maio de 2026

Muito barulho por nada

JCO

Vejamos. Sorrisos e apertos de mão protocolares, caprichando no mostrar dos dentes, nada traduzem além dos acertos diplomáticos realizados nos bastidores entre as equipes presidenciais.

É aí, nos bastidores, que a coisa toda realmente acontece e para nosso azar e nossa curiosidade aumentada, dos reais acordos nada saberemos.

Já nos palco dos acontecimentos, nada de substancial, concreto, saiu desse encontro que se prolongou além do tempo acordado, nas longas três horas que durou o encontro entre os dois presidentes, além de uma nota por parte de Trump em que define Lula como "muito dinâmico" numa reunião em que trataram, segundo ele, de tarifas comerciais.

Mais não disse.

Lula, por sua vez,  solicitou - e foi atendido em sua solicitação - para que a tradicional entrevista com jornalistas dentro do Salão Oval só acontecesse ao final da reunião.

Ao final do encontro, espertamente, saiu a jato da Casa Branca e concedeu uma entrevista na Embaixada brasileira para jornalistas caseiros somente,  brasileiros que conhecem bem a peça rara, que conseguiu escapar de perguntas mais difíceis que teriam sido realizadas pela imprensa mundial, caso ele não tivesse fugido covardemente delas.

Ficamos até agora sem saber ao  certo o que foi tratado, a que conclusões chegaram, o que foi negociado, por qual motivo retiraram Lula a jato do Brasil para esse bate volta inusitado.

Me pergunto o que faz um presidente como Lula, que até ontem xingava em altos brados o presidente americano, levantar voo até o país do hemisfério norte da América e abrir o bocão, mostrando felicidade incontida, em atitude incoerente entre o que faz para o público interno e como se comporta diante daquele que escrachou sem dó durante semanas a fio.

Me pergunto também como é que se faz para realizar um encontro com o sujeito que prendeu seu amigo Maduro, que se alia a seu inimigo Israel, e que ele próprio considera um inimigo político por defender pautas opostas a que ele mesmo defende, e ao final, afirmar que há afinidades imensas entre um e outro, que a reunião foi muito produtiva, sempre de sorriso aberto demonstrando a alegria teatral, fingida, de quem foi, viu e venceu.

Incoerências e hipocrisias que gostaria dispensáveis, mas que são a tônica desses encontros em que prevalece o cinismo e a verdade jaz exausta nos subterrâneos onde os acordos são assinados.

Me pergunto, por fim, quais foram as trocas, o que foi entregue por Lula a Trump, e qual a paga a Lula pelas concessões realizadas nesse estranho "encontro de trabalho",  e isso envolve, sem dúvida, a questão das terras raras, terras essas que contém os minérios tão desejados pelos americanos.

Uma certeza: a esquerda sorri, feliz e aliviada.

O puxão de orelhas em público não aconteceu e a foto com um Lula de sorriso reluzente apertando a mão de um Trump que diz abominar será mostrada exaustivamente ao público como prova de que Lula, ainda que respire por aparelhos, ainda está vivo, muito bem, obrigado.

Silvia Gabas. @silgabas

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Congresso? Que Congresso?

JCO 10/05/2026 às 07:46 Os próximos cinco meses serão decisivos para o destino do congresso nacional, que se posicionará como força atuante ...