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quarta-feira, 27 de maio de 2026

URGENTE: OMS admite dificuldade em conter doença mortal em alerta internacional

JCO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a demonstrar preocupação com a velocidade de propagação do atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC). Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o número de novos casos cresce em ritmo superior à capacidade operacional das equipes médicas mobilizadas para combater a doença.

De acordo com os dados mais recentes, mais de 1.000 infecções e 220 mortes já foram contabilizadas nas últimas semanas. O cenário levou especialistas a classificarem o episódio como um dos surtos mais agressivos desde a epidemia registrada na África Ocidental em 2014, responsável por aproximadamente 11 mil mortes.

Ao discursar diante da União Africana, Tedros reconheceu as dificuldades enfrentadas pelas autoridades sanitárias.

“Estamos intensificando as operações com urgência, mas, no momento, a epidemia está nos ultrapassando”, declarou o chefe da OMS.

Diante do agravamento da situação, a organização classificou o episódio como emergência de saúde pública internacional. Em resposta, o governo do Reino Unido anunciou um pacote de ajuda de £ 20 milhões destinado às ações de contenção no leste da RDC, região mais afetada pelo vírus.

Nova variante preocupa cientistas

O atual avanço da doença está ligado à cepa Bundibugyo, uma variante do Ebola para a qual ainda não existe vacina aprovada. Especialistas alertam que essa linhagem apresenta elevada taxa de letalidade, podendo matar até metade das pessoas infectadas.

Os sintomas iniciais incluem febre intensa, dores musculares, dor de cabeça, vômitos e episódios de diarreia. Em casos mais graves, o quadro evolui para hemorragias internas e falência múltipla de órgãos.

Pesquisadores da Universidade de Oxford trabalham atualmente no desenvolvimento de um imunizante específico contra essa variante. Apesar disso, cientistas afirmam que os primeiros testes em humanos devem levar entre dois e três meses para começar, o que reduz as chances de utilização rápida da vacina nas regiões já afetadas.

“Os cientistas de Oxford alertaram que a vacina que estão criando levará de dois a três meses para ser testada em humanos, o que significa que é improvável que os pacientes na África recebam o medicamento nos próximos seis meses”, informa a publicação.

Violência e desinformação dificultam combate ao Ebola

Além dos desafios médicos, as equipes humanitárias enfrentam problemas de segurança no território congolês. Trabalhadores da Cruz Vermelha relataram ataques em áreas dominadas por grupos armados e resistência de parte da população local às medidas sanitárias.

Segundo relatos, algumas comunidades acreditam que o Ebola seria uma invenção ou exagero das autoridades, o que dificulta o isolamento de pacientes e o controle da transmissão. Três voluntários da Cruz Vermelha morreram após possível contato com corpos contaminados.

O temor de disseminação internacional também aumentou nas últimas semanas. Dois casos suspeitos envolvendo trabalhadores humanitários que retornaram de Uganda chegaram a ser investigados no norte da Itália, mas os exames descartaram a presença do vírus.

Nos Estados Unidos, um médico americano testou positivo para Ebola após atuar na região afetada, levando autoridades a reforçarem protocolos de triagem e monitoramento em aeroportos internacionais.

Especialistas alertam que a ausência de uma vacina pronta para a variante Bundibugyo amplia significativamente o risco de continuidade do surto.

“Especialistas agora alertam que, como não há vacina para proteger contra a variante atual que impulsiona o surto, é quase certo que ela continuará a se espalhar e matar”, adverte o relatório.

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