JCO
21/06/2026 às 11:55
Em artigo publicado no site Metrópoles, o jornalista Mario Sabino, ex-editor da Revista Veja, contou mais uma história interessante envolvendo o terrível Jaques Wagner. Transcrevemos:
“Jaques Wagner. Não sei se já contei essa história aqui, mas a vantagem de ter histórias esquecíveis é que você pode repeti-las.
Foi em 2007. Lula havia sido reeleito, e era recomendável, para fins jornalísticos, restabelecer uma ponte com o PT, partido que havia entrado na mira da revista Veja, da qual eu era o redator-chefe, por causa do escândalo do mensalão.
O melhor caminho era procurar Jaques Wagner, recém-eleito governador da Bahia, petista que sempre teve maior latitude ideológica e que não guardava rancores na geladeira.
Um dos editores da revista pediu, então, a Geddel Vieira Lima que tentasse marcar um encontro nosso com Jaques Wagner.
Naquele momento, ninguém sabia que Geddel Vieira Lima mantinha um apartamento em Salvador apenas para guardar a sua valiosa coleção de dinheiro em espécie.
Logo chegou a confirmação de que Jaques Wagner nos receberia para almoçar no seu gabinete — e lá fomos, eu e o editor, fazer um bate e volta na Bahia.
Geddel Vieira Lima nos esperava na entrada do prédio. Trocado o dedo de prosa de praxe, subimos para o andar de Jaques Wagner, onde a sua secretária nos disse que deveríamos esperar um pouco, porque o governador estava reunido com Norberto Odebrecht.
Passaram-se dez, vinte, trinta, quase quarenta minutos, e eu já havia refletido sobre a grafia peculiar do nome de Jaques Wagner de todos os ângulos possíveis.
Na minha impaciência de paulista, eu antecipava que perderíamos o avião de volta a São Paulo e estava para ligar para a redação para pedir que reservassem um hotel em Salvador quando o telefone da secretária tocou.
Ela falou em voz baixa com a pessoa do outro lado da linha e, desligado o telefone, anunciou que o governador nos receberia dali a cinco minutos.
Em menos tempo do que isso, uma porta lateral, até aquele momento invisível para nós, abriu-se, e um magnífico par de pernas femininas, bastante à mostra em uma minissaia, saiu do gabinete do governador. O par de pernas deu um tchauzinho cúmplice para a secretária.
Na sequência, Jaques Wagner, cabelo molhado e todo sorridente, assomou à porta principal para convidar que entrássemos na sua sala.
Se Norberto Odebrecht estava lá antes de entrarmos, deve ter pulado de paraquedas da sacada que se abria para a capital da Bahia.”

Nenhum comentário:
Postar um comentário