O renomado jornalista Cláudio Dantas ressaltou a "diplomacia do porrete" com a nova indicação de Donald Trump para embaixada dos EUA no Brasil.
Eis o que diz Claudio Dantas:
Depois de designar PCC e CV como organizações terroristas, Donald Trump acaba de indicar Daniel Perez como novo embaixador em Brasília. A escolha tem o mesmo impacto de um porrete, considerando o perfil do indicado, muitas vezes comparado ao do próprio secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Perez também é filho de imigrantes cubanos, defende tolerância zero com comunistas e apoia integralmente a guerra ao narcoterror, além de compartilhar o mesmo eleitorado. Assim como Rubio, ocupou a Presidência da Câmara de Representantes da Flórida, equivalente a uma Assembleia Legislativa estadual.
O novo embaixador não esconde sua admiração por Rubio e Trump, já defendeu publicamente a “clareza moral” em torno de mudanças de regime em Cuba e na Venezuela. Para ele, o crime organizado transnacional e os regimes de esquerda são faces da mesma moeda e representam uma ameaça à soberania dos EUA.
Na prática, uma vez confirmado pelo Senado dos EUA, o novo embaixador atuará como longa manus de Rubio, que, na semana passada, anunciou a designação de PCC e CV como organizações terroristas após encontro com Flávio Bolsonaro. A expectativa é de que seu nome seja confirmado a tempo das eleições de outubro.
PRESSÃO SOBRE LULA
A chegada do ‘pequeno Rubio’ a Brasília sinaliza que os EUA não tolerarão posturas ambíguas do governo brasileiro em relação a ditaduras vizinhas ou à fiscalização de fronteiras, muito menos no combate ao crime organizado.
Com Perez na embaixada, o diálogo bilateral deixa de focar em acordos comerciais tradicionais para se concentrar em cobranças rígidas sobre lavagem de dinheiro, segurança interna e alinhamento geopolítico. Sua tarefa será garantir que as diretrizes de Washington sejam ouvidas em alto e bom som no Palácio do Planalto.
Está mais do que evidente que a Casa Branca já enxerga Lula como um “não aliado”, com grande potencial de virar um inimigo, a depender dos próximos gestos de sua gestão em relação a essas pautas.
A embaixada dos EUA na capital federal está sem embaixador efetivo desde a saída de Elizabeth Bagley, que deixou o cargo no início de 2025, pouco antes da posse de Trump para seu segundo mandato na Casa Branca. A A confirmação de Perez dependerá de sabatina no Senado dos Estados Unidos e do agrément por parte de Lula.
Com a designação de PCC e CV como organizações terroristas globais, o governo dos EUA ganha o poder de aplicar sanções extraterritoriais severas. Perez liderará a pressão para que bancos, fintechs e empresas brasileiras cortem radicalmente qualquer linha que possa servir ao “apoio material” dessas facções, sob risco de sofrerem um apagão financeiro e digital no mercado americano. A classificação também permitirá a Washington justificar o uso de monitoramento global avançado e rastreamento de capitais.

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