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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

URGENTE: Argentina lança forte nota contra o regime brasileiro

 JCO

O governo da Argentina contestou, nesta terça-feira (4), a decisão do Brasil de reduzir o nível das relações diplomáticas entre os dois países. Em comunicado oficial, a chancelaria argentina sustentou que a medida adotada pelo governo brasileiro, sob comando de Lula, foi motivada por "questões puramente ideológicas".

A decisão anunciada pelo Itamaraty determina que o embaixador brasileiro em Buenos Aires permaneça em território nacional enquanto o presidente argentino, Javier Milei, continuar fazendo ataques ao Brasil. Na prática, essa iniciativa representa um rebaixamento nas relações diplomáticas entre as duas nações.

Segundo o comunicado divulgado pelo governo de Javier Milei, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro também solicitou o retorno do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, ao seu país. Diplomatas brasileiros explicaram anteriormente que, diante da mudança no relacionamento entre os governos, a tendência é que Raimondi deixe o Brasil, ressaltando, entretanto, que a medida não caracteriza uma expulsão formal do representante diplomático.

Na nota oficial, a chancelaria argentina declarou ainda que recebeu a decisão "adotada unilateralmente" pelo governo brasileiro e afirmou que o Brasil estaria "se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas". O documento acrescenta que, nos últimos anos, ocorreram "numerosos episódios" de manifestações políticas e demonstrações de apoio entre lideranças dos dois países, mas que a Argentina nunca transformou essas diferenças em uma crise diplomática.

O governo argentino também argumentou que as relações entre os Estados devem ser conduzidas com base nos "interesses permanentes" das populações, e não subordinadas às "necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno". A manifestação reforça o entendimento de Buenos Aires de que divergências políticas não deveriam comprometer a diplomacia bilateral.

O atual impasse teve início após a participação de Javier Milei na convenção nacional do PL, realizada em São Paulo, em 25 de julho, ocasião em que foi oficializada a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário".

No dia seguinte, em entrevista concedida a uma emissora de rádio argentina, Milei afirmou que o Brasil liderava uma "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo. Em seguida, também declarou que Lula teria enviado marqueteiros ao país para influenciar a eleição presidencial de 2023 em favor de Sergio Massa, adversário derrotado por Milei.

As declarações voltaram a elevar a tensão no domingo (2), quando, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei afirmou que Lula é "ladrão", "corrupto" e "não é inocente". Na mesma ocasião, o presidente argentino voltou a questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista relacionadas à Operação Lava Jato.

Ao comentar a reação do governo brasileiro, Javier Milei afirmou que não considera suas declarações ofensivas e classificou as falas como "palavras espontâneas". Na sequência, declarou:

"Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar".

Em resposta às primeiras declarações do presidente argentino, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília para demonstrar oficialmente o descontentamento do governo brasileiro. Paralelamente, chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, procedimento utilizado em momentos de tensão diplomática.

Na ocasião, o governo Lula classificou o episódio como "sem precedentes". O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, avaliou que a situação era grave, mas afirmou que, naquele momento, não seriam adotadas medidas mais severas, como a retirada definitiva dos representantes diplomáticos.

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