Impressiona o números de vezes que o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e familiares dele são mencionados nas investigações do caso Master. Pelo menos, 33 vezes ele é citado.
Mesmo assim, na tarde de ontem, ele pediu a nulidade das apurações sob o argumento de que o relator do caso, André Mendonça, não tinha autorização do plenário do STF para conduzir investigações que envolviam outro ministro da Corte — no caso, Alexandre de Moraes.
O site Poder360 afirma que ouviu sob reserva integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a reportagem, o ambiente no órgão é de “desânimo”. Para os integrantes da cúpula da instituição o pedido de Gonet pela nulidade das investigações é impróprio e o inquérito deveria ficar com o vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand. Entretanto, a decisão final é do próprio PGR, que decidiu continuar no caso.
No relatório da Polícia Federal, Paulo Gonet é mencionado ora pelo nome, ora pela sigla “PG”. As iniciais são usadas com frequência pelo advogado Ciro Soares, que atendia Daniel Vorcaro e buscava viabilizar encontros do ex-dono do Banco Master com autoridades da República.
Em uma dessas menções, Paulo Gonet aparece em uma foto ao lado de Ciro Soares, em mensagem enviada em 15 de março de 2025. Os dois parecem estar em uma varanda. Ambos usam roupas casuais e óculos escuros — 15 de março de 2025 caiu em um sábado. “Liga aqui. Ele quer falar com vc”, diz Ciro Soares a Daniel Vorcaro.
Em mensagem de 28 de março, encaminhada por Ciro Soares a Vorcaro, Gonet afirma:
“Que bom! Estou na torcida por vocês!”.
“Já estou com saudades de você!”, prossegue o PGR na mesma conversa. “Estou embarcando para Roma.” Após dizer que Gonet iria com eles para Londres, Ciro Soares encaminha uma mensagem em que o procurador-geral teria escrito:
“Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!”

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