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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Pressionado, Gilmar reage com frase bizarra que já chegou em Fachin

JCO

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu a informações de que poderia sofrer uma tentativa de constrangimento por causa de uma suposta relação de seu ex-cunhado, Chiquinho Feitosa, com Daniel Vorcaro.

Segundo apuração, Gilmar teria afirmado que não pretende fazer qualquer tipo de acordo diante de uma eventual tentativa de pressão.

“Pelas regras, você não faz pacto com chantagista. Ou você mata ou morre”, disse.

O recado teria chegado ao conhecimento do presidente do STF, Edson Fachin.

A manifestação ocorre em meio à atuação de Gilmar no julgamento que discute o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

O ministro pediu vista do processo analisado pela Segunda Turma do Supremo, interrompendo o julgamento que já contava com votos de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça favoráveis à manutenção do afastamento dos dois integrantes da PF.

No despacho, Gilmar apresentou questionamentos sobre a legalidade da medida adotada por Mendonça. O decano também colocou em dúvida se a Segunda Turma seria o colegiado competente para analisar o caso e alertou para a possibilidade de decisões conflitantes dentro do próprio Supremo.

Outro ponto levantado pelo ministro foi a necessidade de avaliar o afastamento à luz de um precedente vinculante do STF. Segundo Gilmar, a jurisprudência da Corte estabelece limites para decisões judiciais que possam interferir no equilíbrio de uma disputa político-eleitoral, considerando princípios como a paridade de armas e a neutralidade do Estado diante de partidos e candidatos.

A reação atribuída a Gilmar ocorre depois que uma fotografia do ministro em um casamento na Itália foi divulgada. Conforme o relato, chegou ao conhecimento do magistrado que haveria uma tentativa de associá-lo a fatos que, segundo sua avaliação, estariam relacionados exclusivamente ao seu ex-cunhado.

O gabinete de Gilmar informou que a viagem à Itália também está relacionada a um compromisso acadêmico na Universidade de Turim, marcado para quinta-feira (10/9). A permanência do ministro fora do Brasil, segundo a equipe, não o impede de participar remotamente das sessões plenárias do STF, conforme previsto no regimento interno da Corte.

O episódio acrescenta mais um elemento à disputa institucional em torno do afastamento dos dirigentes da Polícia Federal. Com o pedido de vista, Gilmar passa a ter papel central na definição dos próximos passos do julgamento e na discussão sobre a competência do colegiado responsável por analisar a medida.

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