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sábado, 24 de janeiro de 2026

Famosa revista internacional aponta "risco institucional" no Brasil após colapso do Banco Master

JCO

A falência do Banco Master extrapolou o âmbito financeiro e se transformou em uma crise institucional no Brasil. A avaliação é da revista britânica The Economist, que publicou nesta quinta-feira (22) uma análise apontando que o episódio afetou não apenas o mercado, mas também a política e o Judiciário, gerando um abalo de confiança nas instituições do país.

Segundo a revista, o Banco Central decidiu liquidar o Master após identificar um grave problema de liquidez, descoberto durante negociações para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo local. Auditores teriam encontrado carteiras de crédito sem valor econômico, o que inviabilizou a operação.

The Economist destaca que o impacto final recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável pelo maior pagamento a depositantes já registrado no Brasil. Para a publicação, o montante envolvido evidencia falhas relevantes no sistema de supervisão bancária.

O texto lembra que o crescimento acelerado do Banco Master já despertava desconfiança antes do colapso, sobretudo por seu modelo de negócios baseado na emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) com juros elevados. Daniel Vorcaro, que assumiu a presidência do banco em 2019, é retratado como alguém de gastos pessoais elevados e com forte aproximação a círculos de poder. A revista menciona ainda que sua prisão ocorreu quando ele tentava deixar o país.

A análise ressalta que as repercussões do caso se estenderam para fora do sistema financeiro. Um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a decisão do Banco Central, enquanto um procurador ouvido pela revista afirmou que “esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.

A atuação do chamado centrão também é citada. Parlamentares teriam tentado barrar investigações e defender mudanças legais que enfraqueceriam o Banco Central, movimento interpretado pela revista como tentativa de proteção política.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A The Economist menciona que o Banco Master firmou um contrato de US$ 24 milhões com um escritório ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, observando que, segundo um especialista jurídico ouvido, a estrutura e os valores “não são normais”. A revista relata ainda contatos frequentes entre Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes da liquidação — ambos negaram irregularidades, e a Procuradoria-Geral da República arquivou apuração por falta de provas.

O ministro Dias Toffoli também é citado. Viagens e investimentos envolvendo pessoas ligadas ao banco intensificaram críticas públicas, somadas ao histórico do magistrado de arquivar “outras investigações anticorrupção que envolvem a elite de Brasília”. Para a revista, “esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal carece de imparcialidade”.

No desfecho, a The Economist aponta um vencedor institucional: o Banco Central. Apesar das pressões políticas, a autoridade monetária manteve a liquidação do Banco Master. Para a publicação, o episódio fortaleceu o debate sobre a necessidade de ampliar e proteger a autonomia do Banco Central no Brasil.

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