Um dos espetáculos midiáticos mais grotescos da história da “imprensa” brasileira é a afetação exibida por militantes de redação nos últimos dias, diante do colapso da Justiça — um colapso em que autoridades disputam quem aprofunda mais a degeneração institucional ao proteger explicitamente promotores de esquemas corruptos, com os quais mantêm relações promíscuas.
Ora, esses militantes de redação apoiaram a anulação da Lava Jato e a descondenação dos envolvidos no maior escândalo da história, ao mesmo tempo em que, com entusiasmo, ajudaram a reabilitar politicamente — e a conduzir de volta ao poder — um de seus líderes, que havia sido condenado e preso. Paralelamente, justificaram e aplaudiram a criminalização de opositores, por meio de censura e de perseguição judicial implacável, viabilizadas pela subversão de garantias constitucionais.
Era mesmo tão difícil prever que o desfecho seria a consolidação de um Estado ainda mais corrompido — e, pior, progressivamente mais autoritário e repressivo?
Leandro Ruschel.

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