Um resort empresarial historicamente ligado aos familiares do ministro Dias Toffoli — relator no Supremo Tribunal Federal do inquérito que investiga supostas fraudes e irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master — foi integralmente transferido para a propriedade de um advogado associado a um dos maiores grupos empresariais do país, J&F Investimentos, segundo apurou a coluna de Andreza Matais no Metrópoles.
O Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), que por anos esteve parcialmente nas mãos de empresas controladas por irmãos e um primo do ministro, foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa em abril de 2025, após este negociar a compra das cotas societárias diretamente com os parentes de Toffoli.
Barbosa, agora único dono do empreendimento, atua profissionalmente junto a figuras influentes do universo empresarial: ele é sócio em negócios com o atual presidente da empresa Friboi, do grupo J&F, e com pessoas ligadas à família Batista, controladora da gigante do setor de proteína animal — embora a própria JBS e a J&F tenham divulgado nota negando qualquer relação direta com a transação.
O resort foi vendido por meio de um fundo de investimentos administrado pela gestora Reag, cujo envolvimento com fundos ligados ao caso Banco Master tem sido destacado pela imprensa e por documentos oficiais. A Reag já foi citada em operações policiais por suspeita de abrigar teias financeiras supostamente utilizadas para movimentações suspeitas envolvendo o banco e outros ativos — investigação que, inclusive, levou à liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central do Brasil.
Embora o ministro Toffoli não tenha participação societária direta no empreendimento, ele frequenta o resort e, segundo registros da imprensa, esteve no local em um voo de aeronave de um investigado pela Operação Carbono Oculto, que mira suspeitas de lavagem de dinheiro no Paraná e em outros estados.
A transação coloca um novo foco de atenção sobre o caso Master e os vínculos indiretos entre o entorno familiar do relator e estruturas empresariais que, em algum momento, tiveram participação societária em ativos nos quais fundos ligados a supostas irregularidades financeiras aportaram recursos.
Procurado pela coluna, Toffoli não comentou publicamente a transação envolvendo o resort, assim como nem o resort, nem o advogado Barbosa se manifestaram até o momento sobre as motivações e condições da compra. A J&F, em nota, afirmou que não possui qualquer relação de negócios com a aquisição ou com as empresas de Barbosa além dos vínculos societários mencionados em processos legais em que atuou profissionalmente no passado.
O episódio agrava o debate público sobre a transparência na condução do inquérito do Banco Master, especialmente em um contexto em que Toffoli tomou decisões polêmicas, como a centralização da investigação no STF e a imposição de sigilo, medidas que já haviam gerado críticas de setores do Judiciário e da polícia.
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