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sábado, 6 de junho de 2026

Um país onde o mal triunfou

JCO

Um texto publicado pelo advogado, mestre em processo civil pela Universidade Autônoma de Lisboa e professor universitário, Paulo Antonio Papini, retrata com clareza o caos que atinge a sociedade brasileira, onde realmente predomina a sensação de que o mal triunfou. Confira:

Os casos Débora do Batom e Monique Medeiros são emblemáticos. De um lado, uma mãe de família que - no mais grave dos cenários - fez uma molecagem num patrimônio público. Nada de grave, manchas de batom saem com água.

Contra ela, toda a fúria do Estado. Classificação como terrorista, destruidora do Estado de Direito e o escambau. 400 dias de prisão preventiva.

Do outro, uma mãe que participou - no melhor dos cenários - com dolo eventual do assassínio do seu filho é perdoada por uma Juíza (que subverteu o julgamento do Júri até que os jurados fizessem sua vontade e votassem como ela o desejava).

(Claro que tem a cereja do bolo, discurso sobre machismo estrutural e essas bobagens todas que fariam alunos e professores da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, um antro comuno-maoísta dentro da USP) entrarem em êxtase.)

A leitura rasa, superficial, nos diria que aos Esquerdistas tudo é permitido e à Direita/Conservadores e Liberais temos o rigor da Lei. Outra leitura rasa nos diria que pessoas que tem recursos para pagar bons Advogados, para investir no processo, são beneficiadas pela Justiça. Um preconceito econômico explícito.

AMBAS AS LEITURAS ESTÃO CORRETAS, MAS SÃO INCOMPLETAS.

A verdade é muito pior, muito mais dura. Além do meu trabalho como Advogado, também sou Pesquisador do Direito. Uma das coisas que mais faço no meu dia a dia é analisar jurisprudêcia, ler processos que não são dos meus clientes, inclusive.

E a verdade, e sou capaz de apostar que a maior parte dos Advogados que me leem têm esta percepção, é que não importa classe social, se rico ou pobre, cor de pele, orientação sexual, posição política, nada; cada vez mais me convenço de que, quanto mais errada está uma pessoa, quanto  pior o seu delito, maiores são suas chances de "se dar bem na Justiça".

E não são poucos casos. Em 2017, numa audiência de família, na Comarca da Praia Grande, São Paulo, um juiz levou um soco na boca desferido pelo pai inadimplente. Detalhe importante: o agressor saiu pela porta da frente da Delegacia, não ficou um único dia sequer preso.

Detalhe importante: o agressor era um pai inadimplente com sua obrigação básica de sustentar seu filho. E saiu pela porta da frente da delegacia.

Em contrapartida, sobejam na Internet/YouTube vídeos de audiências onde magistrados trabalhistas tratam empresários pior que um cachorro raivoso. São gritos, ofensas, exigências de que sejam chamados de excelência e por aí vai.

"Aihn, Papini, mas os juízes marxistas são os culpados." Será mesmo. Vamos fazer uma pergunta honesta: os Juízes que temos no Brasil são importados de algum outro planeta ou, gostemos ou não, fazem parte da sociedade em que vivemos?

Saiamos um pouco do Judiciário. Teve uma situação no Metrô de São Paulo, onde uma segurança mulher tomou um soco no rosto desferido por um passageiro. Corretamente, do ponto de vista jurídico e moral, seus colegas homens de trabalham cercaram aquele agressor e aplicaram-lhe uma surra. O que fizeram os demais passageiros daquele vagão. Partiram para agredir os seguranças para defender um homem que bateu numa mulher.

Detalhe, aquelas mesmas pessoas ficaram inertes quando uma mulher foi agredida.

A triste verdade, que não será resolvida com eleições, é que o brasileiro vive uma bandidolatria permanente. Ele idolatra políticos corruptos, uma sociopata que mata os pais e destruiu a vida do irmão, outra que fez picadinho do marido, alguém que agride um juiz no exercício do seu trabalho.

Não, não tem nada a ver com gênero, condição social ou cor de pele. Fosse a Monique Medeiros alguém sem recurso algum, fosse ela bilionária, teria o mesmo tratamento leniente da Justiça (que nada mais é que um recorte da sociedade).

O brasileiro ama marginais e infratores da Lei, tanto é que votam neles com orgulho. O que acontece no Judiciário, é apenas um reflexo do plano macro.

Paulo Antonio Papini. Advogado, professor e mestre.

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