A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) vendeu os direitos de transmissão da Copa do Brasil, válido para as temporadas de 2027 a 2030, para Globo, Amazon e ESPN Brasil. A transação, avaliada em mais de R$ 4 bilhões, representa um aumento de 80% em relação ao ciclo anterior. Para valorizar o passe do campeonato perante os possíveis detentores, a instituição reuniu dados de audiência, mudou a forma de venda e até se debruçou em comparações com a Libertadores.
O órgão deu início às negociações em abril, depois de meses de estudo para entender a situação comercial da Copa do Brasil. Internamente, segundo fontes do Notícias da TV, a conclusão é que os direitos foram vendidos por valores abaixo do que deveriam, especialmente em comparação com o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
Um levantamento feito através de dados do Ibope, com medição na Grande São Paulo, entregou que a Copa do Brasil conseguiu médias melhores de audiência nas fases finais na TV aberta do que os outros dois torneios.
Até o último ciclo, a CBF vendia os direitos para um detentor único, que sublicenciava para outras plataformas. De 2023 a 2026, a Globo teve exclusividade, mas repassou alguns jogos para o Prime Video.
A confederação abriu mão da exclusividade e pulverizou os pacotes entre diversas plataformas, na tentativa de aumentar o valor das vendas e popularizar ainda mais o campeonato. Trata-se de uma tendência já comum em torneios internacionais.
A CBF dispensou intermediários, como acontece nas ligas de futebol, em que uma agência compra e revende os direitos, e encabeçou ela mesma as negociações.
A falta de um processo competitivo mais fechado era uma das principais reclamações do mercado. A instituição chegou a ouvir de interessados que eles não tentaram comprar os direitos antes, justamente, pela falta de informações claras sobre a disputa.
Com isso, a CBF foi atrás das plataformas e emissoras e, antes de formalizar propostas, ouviu de cada uma delas as possíveis demandas.
A empresa também apresentou ao mercado um levantamento que argumentava por que a Copa do Brasil deveria valer tanto ou até mais do que a Libertadores. Entre os fatos expostos está a presença das dez maiores torcidas brasileiras --nem todas estão na competição sul-americana. Além disso, em muitos casos, a equipe brasileira disputa com um time internacional, o que naturalmente pode diminuir o interesse do público local.
Outro trunfo da CBF para chegar ao valor foi a produção de 100% de sinal, o que assegura a transmissão de todos os jogos, sem que as plataformas e emissoras precisem se preocupar com a logística de partidas em lugares mais distantes. A instituição vai exibir em seu canal oficial as disputas que os detentores não se interessarem em veicular.
Também houve alteração no calendário para distribuir melhor as datas. Segundo fontes do Notícias da TV, o Prime Video fez reclamações do volume excessivo de partidas em um curto período de tempo, o que atrapalhava a divulgação. Internamente, a CBF admitiu que as datas dos jogos eram pensadas sem foco em questões comerciais.
A partir da quinta fase, serão poucos conflitos de horários. Já nas quartas de final, não haverá mais jogos simultâneos. Também nas quartas, os jogos serão realizados aos fins de semana; atualmente, isso só ocorre nas semifinais. A CBF focou em estender o calendário, mas sem aumentar o número de jogos para cada equipe. A solução foi dar mais duas datas para a quinta fase e para as oitavas de final.
Entre players convidados a participar do processo e outros que se ofereceram para fazer parte, cerca de 15 empresas entraram na concorrência. SBT, Record, Paramount, HBO e YouTube estão entre elas. Por problemas internos entre CBF e LiveMode, a CazéTV não foi cogitada.
A Globo ficou com o principal pacote e será a única da TV aberta a exibir os jogos. Por conta disso, ela será obrigada a transmitir 14 partidas a partir da quinta fase, quando os times de série A adentram na competição.
O segundo e o terceiro pacotes, embora também oferecido a TVs abertas, ficaram para Sportv, Premiere, Ge TV, Prime Video e ESPN. São dois pacotes com os mesmos direitos: as empresas têm acessos à mesma quantidade de jogos e vão se alternar entre as partidas mais importantes.
A Ge TV também levou o quarto pacote, pensado para gerar momentos virais sobre a competição. A plataforma vai poder criar vídeos de reação, os famosos reacts, e conteúdos de melhores momentos nas redes sociais, no YouTube e em outros aplicativos. Ainda há um quinto pacote em negociação para o mercado internacional. No entanto, o objetivo dele é firmar o campeonato em outros países, sem gerar grandes lucros.
Oficialmente, a CBF não fala em valores, mas o aumento da receita também vai impactar a premiação dada aos times que participam do torneio. A negociação histórica mostra o empenho da corporação diante de um objetivo ousado: transformar a Copa do Brasil no campeonato mais relevante comercialmente do país, em meio ao impasse sobre a criação de uma liga para organizar o Brasileirão


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