Gilson Machado (PL), ex-ministro do Turismo no governo Bolsonaro, foi liberado da prisão na noite desta sexta-feira (13), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a revogação de sua detenção. Ele havia sido preso pela Polícia Federal sob suspeita de ter intermediado a obtenção de um passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Detido em sua residência no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, Machado foi levado à Superintendência da Polícia Federal, onde prestou depoimento e negou qualquer participação em atos ilícitos. Posteriormente, passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, e foi transferido para o Centro de Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, onde permaneceu em cela isolada por motivos de segurança.
A libertação ocorreu por volta das 23h, quando deixou o Cotel. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a separação dos demais presos foi feita para garantir sua integridade física.
Em conversa com a imprensa ao chegar ao IML, ele declarou que sua atuação junto ao consulado português teria sido apenas para ajudar o pai, de 85 anos, a renovar o passaporte.
"Não matei, não trafiquei drogas, não tive contato com traficante. Apenas pedi um passaporte para meu pai, por telefone, ao Consulado Português do Recife", afirmou.
Segundo ele, no dia seguinte ao contato, seu pai foi pessoalmente ao consulado, acompanhado de um dos filhos, para resolver a renovação.
'Portas do inferno vão se abrir', diz novo líder militar ao comentar resposta do Irã a Israel
247 - Novo comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, prometeu nesta sexta-feira (13) "as portas do inferno" e "consequências destruidoras" a Israel, por causa dos ataques contra território iraniano.
"O regime sionista, criminoso e ilegítimo, enfrentará um destino amargo e doloroso, com consequências imensas e devastadoras. As portas do inferno em breve se abrirão para esse regime", declarou Pakpour, segundo a agência estatal Irna. A Guarda Revolucionária pertence às Forças Armadas iranianas.
Pakpour assumiu o cargo após a morte de Hossein Salami, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês). Foi líder do Irã de maior escalão eliminado nos ataques israelenses desta sexta-feira (13).
Após a resposta do Irã, explosões foram ouvidas sobre Tel Aviv e Jerusalém enquanto sirenes soavam na noite desta sexta-feira (horário local) em Israel, após o que o porta-voz militar do país disse ser o disparo de mísseis do Irã.
Segundo a Reuters, duas fontes regionais disseram que pelo menos 20 comandantes militares iranianos foram mortos devido aos ataques israelenses. O Irã também disse que seis de seus principais cientistas nucleares foram mortos.
A mídia iraniana mostrou imagens de blocos de apartamentos destruídos e disse que cerca de 80 civis foram mortos nos ataques que tiveram como alvo cientistas nucleares em suas camas e feriram mais de 300 pessoas (com Reuters).
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o comandante da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Amir Ali Hajizadeh, comparecem ao desfile militar anual que marca o aniversário do início da guerra Irã-Iraque de 1980-1988 em Teerã Foto: Atta Kenare/AFP
Militares mortos
O major general Mohammad Bagheri, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas e o segundo comandante mais alto do Irã depois do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um bombardeio durante a madrugada. Ele foi substituído pelo major-general Abdolrahim Mousavi, de acordo com a agência de notícias estatal iraniana IRNA.
Já o general Hossein Salami, comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, a principal força militar do Irã, também foi morto. Ele era o segundo na cadeia de comando militar e tinha o terceiro cargo mais importante do Irã. Ele foi substituído pelo General Mohammad Pakpour, segundo a IRNA.
O general Gholamali Rashid, comandante-chefe adjunto das Forças Armadas, e o general Amir Ali Hajizadeh, chefe do programa de mísseis da Guarda Revolucionária do Irã, também foram mortos. Segundo a cadeira de comando, eles seriam as autoridades militares mais importantes depois de Bagheri e Salami.
Bombardeio israelense danifica prédio em Teerã, Irã Foto: Meghdad Madadi/AFP
Cientistas assassinados
Segundo a agência iraniana Tasnim, Israel matou seis cientistas iranianos nesta sexta-feira. Entre eles estão Fereydoun Abbasi, ex-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, e Mohammad Mehdi Tehranchi, físico teórico e presidente da Universidade Islâmica Azad em Teerã.
Israel também assassinou Ali Shamkhani, um dos políticos mais influentes do Irã e amigo próximo do aiatolá Khamenei. Ele supervisionava as negociações nucleares com os Estados Unidos como parte de um comitê nomeado pelo líder supremo para dirigir as negociações.
O recém-nomeado comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Mohammad Pakpour, disse que Teerã irá abrir “as portas do inferno” em retaliação aos ataques israelenses que mataram seu antecessor.
“Em retribuição ao sangue de nossos comandantes, cientistas e cidadãos mortos, as portas do inferno se abrirão em breve para este regime que mata crianças”, disse Pakpour sobre Israel em uma mensagem divulgada pela agência de notícias estatal IRNA.
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Israel mirou alvos nucleares
Israel bombardeou diversos alvos no Irã, no que chamou de “ataques preventivos” em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio.
Os ataques começaram na noite de quinta-feira, 12 (horário do Brasil), e continuaram nesta sexta-feira, 13. Foi uma grande operação contra a alta cúpula do país persa e o programa nuclear do Irã.
Israel atacou a principal instalação de enriquecimento nuclear do Irã em Natanz, atingindo um complexo subterrâneo que abrigava centrífugas.
Tel-Aviv também atacou pelo menos seis bases militares ao redor da capital, Teerã, residências em dois complexos de alta segurança para comandantes militares e vários prédios residenciais ao redor de Teerã, de acordo com informações do The New York Times.
Retaliação do Irã
Nesta sexta, o Irã iniciou sua primeira onda de retaliação, lançando mais de 100 drones em direção a Israel, de acordo com o Brigadeiro-General Effie Defrin, principal porta-voz do exército israelense.
Mais tarde, o Irã passou a lançar mísseis. Alguns desses mísseis foram interceptados pelo sistema de defesa aérea israelense. Ao menos um deles foi destruído enquanto sobrevoava a cidade sagrada de Jerusalém.
Segundo o Exército de Israel, os sistemas de defesa estavam trabalhando para interceptar a ameaça. O Exército também orientou a população a entrar nas áreas protegidas e permanecer lá até novo aviso.
Fumaça em Tel-Aviv, Israel, após retaliação do Irã Foto: Leo Correa/AP
EUA mandam navios de guerra para a região
Os Estados Unidos anunciaram o envio de navios de guerra e outros recursos militares americanos no Oriente Médio para ajudar a proteger Israel da retaliação iraniana.
O contratorpedeiro USS Thomas Hudner recebeu ordens para se deslocar para a costa oriental do Mediterrâneo, e um segundo contratorpedeiro deverá segui-lo. A Força Aérea também enviará mais caças para a região. /com NYT